Tentar buscar sentido em meio ao caos que vivemos, descobrir conexões e nexos são formas de aprender, aquietar o espírito e criar um registro do que fomos e como chegamos ao final da caminhada.
A loucura é algo raro em indivíduos - mas em grupos, partidos, povos e épocas, é a regra."
Friedrich Nietzsche
Um dos paradoxos atuais : nunca tivemos tantos recursos para lidar com uma pandemia e nunca estivemos num estado de pânico global em tempo real como agora. Culpemos a instantaneidade criada pelo mundo plano e conectado - excessivamente conectado - onde a contagem de casos, mortos e todo tipo de estatística acontece a cada minuto, tudo amplificado e politizado pelas mídias (todas elas!).
Óbvio que cuidados são necessários e medidas de contenção são úteis, mas não se discute de forma racional a extensão e a duração das mesmas. Corremos feito animais acuados, em bando e desesperados, como se fosse a primeira pandemia que a humanidade enfrentasse.
A Peste Negra dizimou quase um terço da população da Europa, a Febre Espanhola entre cinquenta e cem milhões de pessoas no mundo, a Gripe Suína (H1N1) de 2009 causou cerca de 284 mil mortes. Para colocarmos em perspectiva, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que anualmente entre 250 mil e 500 mil pessoas morram anualmente de gripes sazonais.
Até hoje (18 de abril) cerca de 154 mil mortes e mais de 2 milhões de casos da Covid Chinesa. Uma lástima como centenas outras que ocorreram na história da humanidade e que continuarão a ocorrer. Assim é a evolução, sobrevivem os que se adaptam.
Existe uma sensação de pânico generalizado que turva a visão e está causando problemas, cujas consequências se estenderão bem além da pandemia.
Não se trata de escolher vidas versus economia, até porque não existe vida organizada sem interações, trocas, produção. Uma sociedade sem economia não tem como, nem porquê porque existir!
Do ponto de vista micro também, parece que os efeitos colaterais do isolamento horizontal não estão sendo levados em conta. Isolamento, desemprego, depressão e estresse abalam o sistema imunológico, nos tornando mais propensos aos ataques dos vírus (do SARS-COV2 e de todos os outros).
Até o momento só existem soluções que mitigam mas não resolvem o problema e causam efeitos colaterais com extensão e profundidade mais danosas.
Nos últimos 30 anos a humanidade foi se tornando complacente e soft demais. O politicamente correto nos despreparou psicologicamente para situações extraordinárias e duras como a atual. Não há como reclamar de bullying de vírus! É tomar medidas possíveis e realistas com a nossa realidade, e elas estão sendo tomadas (construção de hospitais de campanha, compra de testes e material médico, contratação de profissionais), buscar minimizar as possibilidades de contágio e seguir a vida. Aliás, como fazem centenas de milhares de pessoas na Líbia, Síria e Iraque, países em guerra!
Sergio Cavalcanti
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