Tentar buscar sentido em meio ao caos que vivemos, descobrir conexões e nexos são formas de aprender, aquietar o espírito e criar um registro do que fomos e como chegamos ao final da caminhada.
'Ansiedade é quando faltam cinco minutos para o que quer que seja.'
É uma boa descrição do momento que vivemos, vidas suspensas à espera do próximo número de mortes, da tragédia anunciada, das estatísticas e de quanto tempo levará até a vacina.
Espremidos pela espera aguardamos o achatamento da famosa curva, a construção dos hospitais, a entrega dos ventiladores que salvarão os afortunados e da cloroquina, remédio com nome de personagem teatral ou marchinha carnavalesca, que traz um alento com seu potencial de cura, ou de uma suposta garantia, um certo seguro; afinal de contas, construímos nossas vidas baseados em seguros; de vida, de incêndio, roubo e qualquer coisa que possamos pagar a alguém para nos livrar do peso de carregar o risco.
A má notícia é que o risco da COVID19 não é transferível! Esse teremos que carregar sozinhos ou, preferencialmente, com uma rede de solidariedade.
A ansiedade é o preço que pagamos e continuaremos a pagar por termos nossas rotinas subitamente interrompidas,nossas crenças e valores postas à provas e árdua tarefa de olhar para dentro de cada um de nós.
Essa pandemia traz à tona as desigualdades sem filtros, o desespero dos desamparados e aflige também os confortáveis em seus confinamentos high tech. O problema é de todos, existem mais respostas que perguntas e nenhuma terra à vista nesse mar de dúvidas.
A boa notícia é que epidemias passam, basta pegar um livro de história e constatar, mas até lá só há duas maneiras de lidar com esse futuro que nos escapa a compreensão: com ansiedade ou com fé.
A fé de certa forma nos fortalece e, devemos lembrar, a ansiedade se alimenta do medo que paralisa e gera um ciclo vicioso.
Precisamos de coragem que, como disse Dr. King, 'é o poder da mente para superar o medo'. Coragem para criar novas rotinas nesses tempos de distanciamento, coragem para viver o aqui e o agora e coragem para deixar de temer a morte.
Sergio Cavalcanti
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