Tentar buscar sentido em meio ao caos que vivemos, descobrir conexões e nexos são formas de aprender, aquietar o espírito e criar um registro do que fomos e como chegamos ao final da caminhada.
Viés de Confirmação (Confirmação Pré-concebida) um conceito utilizado em psicologia, observado quando você tem uma crença e busca exemplos que a confirmem.
Importante notar que podem existir inúmeros outros exemplos que vão contra a sua crença inicial, outros que coloquem em dúvida sua existência, mas você fica atento apenas àqueles que provam o que você já tinha como verdade certa, geral e irrestrita.
Operadores de redes sociais estudam profundamente psicologia e sabem a força do viés de confirmação,e o quanto nos apegamos a ele ao formularmos nossos juízos de valor e tomarmos decisões.
Esses profissionais também conhecem técnicas de contra-informação e propaganda. Essa cartilha manda confundir na impossibilidade de contra-argumentar, utilizar argumentos verdadeiros mas que nada têm a ver com o tema em discussão e, principalmente, sempre que possível desqualificar o adversário como meio de enfraquecê-lo e por tabela, seus argumentos.
O atento leitor já começou a perceber sinais do mundo que vivemos, onde é necessário apenas um smartphone para criar e distribuir conteúdo. Parece pouco mas reflitamos: há trinta anos para ter suas ideias propagadas o sujeito precisava dar uma entrevista a um jornal, rádio ou TV, e se tivesse recurso, publicar um livro ou imprimir panfletos.
O custo para produzir e distribuir conteúdo (verdadeiro ou falso) é imensamente pequeno hoje em dia e a velocidade com que ele pode ser transmitido e repassado é imensa.
A combinação dos fatores acima tornou o mundo muito mais propenso a radicalismos de esquerda e de direita, que independente dos méritos de cada ideologia, levam a crenças próximas àquelas de seitas.
Seguidores, manipulados por seus viés de confirmação, bombardeados por contra-informação produzidas rapidamente e eficazmente, distorcidas por edições de áudios, vídeos e fatos, criam mentiras em quantidades impossível de serem devidamente combatidas e desmascaradas.
Assim aos serem espalhadas elas cumprem seu papel: confundir e alimentar o viés de confirmação. Quanto melhores articuladas e construídas, mais eficazes no torpor mental que causam em seus alvos.
Vivemos isso nos anos petistas e vivemos o mesmo fenômeno, de sinal trocado, agora com os bolsonaristas. Nos dois casos ficam comprometidos a capacidade crítica, a convivência e por último a Democracia pois os dois extremos são autoritários.
Em 1970 o Reverendo Jim Jones, líder da Seita dos discípulos de Cristo, deixou os Estados Unidos e fundou uma comunidade em plena Guiana. Seus seguidores eram submetidos a lavagem cerebral e não podiam deixar a seita nem a comunidade.
Em 1978, sob pressão do Governo Americano, por terem assassinado uma delegação que investigava os excessos da seita contra cidadãos americanos, o Reverendo Jones convenceu seus discípulos que a saída para a crise seria beber um refresco (cool aid) que os levariam a outra dimensão e a liberdade total.
A história terminou com novecentos cadáveres que beberam o tal refresco! Aquela bebida tem hoje a forma eletrônica de memes, mensagens de whatsapp mas o efeito e a quantidade de corpos pode ser milhares de vezes maior.
Pense nisso antes de beber o refresco oferecido nas redes sociais diariamente pelos Reverendos Jones de plantão.
Sergio Cavalcanti
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