Escrever ficção é ter permissão para sonhar, viajar, inventar realidades e personagens, é como viver várias vidas.
Meus contos são reflexos do que vi, ouvi, vivi, inventei e misturei tudo no meu iquidificador cognitivo.
Existem casos documentados de pessoas que perdem a consciência de quem são por um período, como se estivessem em um sonho sendo outra pessoa, ou numa realidade em um universo paralelo (tipo Matrix,) mas subitamente acordam.
-Onde estou?
-No Palácio do Planalto.
-E essa gente toda? Que evento é esse?
-A posse do novo Ministro da Saúde!
-O que aconteceu com o Mandetta?
-Foi demitido.
-E quem vai substituí-lo?
-Você!
-Você, tipo...EU?
-Sim, Dr. Teich, o senhor.
-Mas eu sou oncologista.
-O Mandetta é ortopedista.
-Não tenho carisma.
-O Mandetta tinha em excesso.
-Não sei contar casos.
-Isso vai ter que aprender. Os casos de COVID19 pelo menos.
-Não entendo nada de Saúde Pública, nem de Pandemia.
-Seu chefe também não.
-Além do mais tenho cara de sonolento, fico mal em vídeo.
-O país vive um pesadelo. Isso não será problema.
-Eu não quero ser ministro do mito.
-Dr. Teich, está vendo aqueles generais ali?
-Aqueles que estão olhando para mim?
-Eles mesmos.
-Eles não estão acostumados a mudanças súbitas e desistências.
-Mas eu não desisti.
-O senhor aceitou o cargo.
-Eu aceitei?
-Aqui está o seu discurso. Vai lá e fala sobre o seu Plano B.
-Plano B, que Plano B?
-E você acha que alguém aqui tem Plano A?
-Não sei o que dizer.
-Use estatísticas, diga que vai mudar a estratégia e que anunciará em breve novas medidas.
-Quais medidas?
-Fique tranquilo, pode ser que você nem tenha tempo de desenvolvê-las.
E não teve tempo mesmo.
Sergio Cavalcanti
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